Arquivos russos “Thread-3” vêm a público: o que o dossiê vazado contém

Uma matéria do New York Post reacendeu alegações de que instituições soviéticas e pós-soviéticas mantiveram programas estruturados para coletar e analisar relatos de UAP. O objeto real de escrutínio é um dossiê traduzido que circula online — apresentado como uma compilação ligada a um esforço descrito como “Thread-3”, passando por enquadramento institucional, especulação técnica, casos militares e uma conclusão familiar: “a maioria explicável, alguns desconhecidos”.

Uma manchete de jornal sobre um fundo que remete a aviação e documentos

Uma matéria recente do New York Post trouxe de volta uma alegação provocativa: que instituições soviéticas e pós-soviéticas teriam mantido programas estruturados para coletar e analisar relatos de UFO/UAP — apesar de décadas de postura oficial de desdém.

Essa matéria é o gancho. A substância (e a oportunidade real de escrutínio) está no dossiê traduzido que circula online, apresentado como uma compilação de materiais ligados a um esforço de pesquisa soviético/russo descrito como “Thread-3” — voltado a fenômenos aeroespaciais anômalos (AAP) e, de forma notável, a conceitos de propulsão não tradicionais. (Veja o PDF em Fontes primárias.)

Da manchete ao dossiê

O PDF vazado (tradução para o inglês) aparece como um pacote compilado, e não como um relatório único, “limpo” e internamente consistente. Ele atravessa enquadramento institucional, contexto histórico, especulação técnica, narrativas militares, testemunhos de “contatados”, referências cruzadas ao folclore ufológico dos EUA e uma conclusão que mistura debunking com uma categoria residual de “desconhecido”.

Por que George Knapp importa aqui

Se você quer entender como material incomum entra na conversa pública, George Knapp é um nó recorrente. Ele é um repórter investigativo de longa data e um dos jornalistas de UAP mais conhecidos nos EUA, frequentemente descrito por pares como um “hub” de pistas, documentos e testemunhos de pessoas que querem trazer informações à tona.

O New York Post o enquadra como a pessoa que teria trazido esses documentos russos décadas atrás e os tornado públicos em janeiro de 2026. A relevância de Knapp aqui não é que ele “prove” algo — é que ele está posicionado num ecossistema onde alegações, registros e testemunhas convergem, e já foi considerado crível o suficiente para oferecer depoimentos e materiais para registro oficial.

Um ponto de apoio concreto: registro no Congresso

Os “arquivos da Rússia” de Knapp também aparecem num registro oficial de audiência na Câmara dos EUA. Na transcrição, ele diz que a URSS exigia que unidades militares coletassem relatos de eventos aéreos incomuns, que muitos relatos passariam pelo KGB e que um esforço posterior que ele chama de “Thread III” seria um programa de análise.

Como ler o documento vazado “Thread-3”

O dossiê parece um mosaico. Uma forma produtiva de abordá-lo é separar o que ele é (uma compilação) de o que ele afirma (estrutura de programa, casos e ideias técnicas) e observar onde ele fornece fontes, nomes, datas ou referências reproduzíveis — versus onde depende apenas de narrativa.

O que o dossiê contém (por capítulos)

1 — Origem institucional e definição de missão

O dossiê abre enquadrando o trabalho como uma iniciativa ligada ao Ministério da Defesa, iniciada em meados dos anos 1980, voltada a coletar, padronizar e identificar dados sobre fenômenos anômalos. Em seguida, descreve “Thread-3” (1991–1995) como um programa com múltiplas tarefas: construir bases de dados automatizadas, sistematizar relatos recebidos e examinar relevância militar.

2 — Uma história da ufologia soviética sob censura

Um tema central é o contraste entre eras “entusiastas” iniciais (1940s–1950s), tratadas como semi-ilegais devido a uma postura estatal hostil, e um pivô para programas oficiais a partir de 1979 (frequentemente associados a nomes como “Network-AN” e “Galaxy-MD”). O dossiê enfatiza como censura e punição reputacional moldaram o que podia ser discutido publicamente.

3 — Propulsão não tradicional e física especulativa

Esta é uma das seções mais marcantes porque mistura narrativas de UAP com alegações de engenharia e teoria: ideias de “gravitação rotacional” e conceitos de motor baseado em vácuo, discussão da Máquina de Searl (grafada “Sarl” na tradução) como tentativa de replicar um “UFO manufaturado”, e uma “teoria do microlepton” atribuída a A. F. Ochatrin.

4 — Encontros militares e depoimentos de cosmonautas

O dossiê passa para narrativas em estilo militar: relatos de confrontos envolvendo aeronaves e UAPs, alegações de que sistemas eletrônicos foram “paralisados” e referências a cosmonautas comentando avistamentos (nomes na tradução incluem Yuri Gagarin, Marina Popovich e Vladimir Kovalenok).

5 — “Contatados”: narrativas de interior de nave e interação direta

A compilação inclui testemunhos em primeira pessoa descrevendo interiores de naves, seres de aparência humanoide, comunicação tipo telepatia e mensagens sobre o futuro da humanidade. Também aparece a narrativa dos “gigantes de Derzhavinsk” (1979), descrevendo entidades muito altas vistas perto de uma área militar.

Um dos relatos de “contatado” mais detalhados do dossiê traduzido é atribuído a Anatoly Malishev (1975). Ele mistura descrição técnica (forma, dimensões, distância) com alegações de interação humana (aparência, fala e uma forma de comunicação “não auditiva”). A seguir, uma citação (tradução livre do inglês):

6 — Contexto internacional e Majestic-12

O dossiê cruza material soviético/russo com mitologia ufológica e cultura de vazamentos dos EUA, citando Majestic-12 e Roswell e atribuindo comportamentos de sigilo a instituições americanas como CIA e Pentágono.

7 — Anomalias lunares

Uma seção menor descreve fenômenos luminosos e estruturas geométricas na Lua, insinuando a possibilidade de instalações no lado oculto.

8 — Conclusões em estilo oficial: a maioria explicável, alguns desconhecidos

O fechamento segue um padrão familiar em arquivos “governo-adjacentes”: a maioria dos casos é atribuída a testes, erro de identificação ou fenômenos naturais, enquanto uma parcela residual permanece sem explicação e é tratada como preocupação contínua de segurança aeroespacial.

Fontes primárias